Antes possessivo, agora não.
Eu tenho algumas dúvidas de meu aprimoramento como pessoa saudável que cria laços saudáveis, mas percebo uma mudança radical na questão de possessividade e ciúmes… o que antes eu romantizava, agora eu tenho asco só de pensar existir como poluição de uma relação minha.
A questão do ciúmes pra mim sempre fora considerada como um sentimento essencial; que demonstra interesse, a consideração e tudo mais que até o mínimo de ciúmes que alguém possa gostar pensa. Geralmente consideramos bonito, fofo, e de certa forma vem ao nosso ego de que somos importantes e ser alvo de desejo talvez nos deixe feliz, ou, aos feticheiros de plantão, excitados. Entretanto, vemos a problemática disso no funcionamento da dinâmica… sabe, a tentativa de simular apatia, a mudez completa ou parcial – que vem acompanhada de respostas monossilábicas – com expressão de raiva no rosto, ou, caso na web, de ignorar mensagens estando online, responder com baixa intensidade e ânimo… e tem aqueles que se enraivecem e são capazes de ofender, agredir e até manipular.
Existem reações diversas do ciúmes, e todas elas problemáticas. Temos que entender que estamos embutidos numa sociedade com pouco incentivo ao diálogo, a solução através de uma conversa; a ressignificação. Essa sociedade com uma cultura líquida provoca o amor líquido (já pegando um gancho com Bauman). A maioria das pessoas não tentam dialogar e nem dão importância a isso, e nem importância ou consideração a quem deseja uma conversa para conseguir solucionar conflitos.
O conflito do ciúmes e da possessividade é algo que eu jamais quero ter em meu ciclo social. Darei responsabilidade afetiva e esperarei de volta. Ninguém é suficiente de ninguém e ninguém está completando ninguém. Só entre num relacionamento monogâmico se você conseguir à risca não quebrar o ritual.
Considero isso uma mudança enorme e me sinto feliz por conseguir. Há um ano atrás eu sentiria um ciúme intenso, vindo como conjunto a insegurança e a desconfiança. Eu não conseguia, não gostava e nem aceitava que alguém que eu gostasse estivesse fazendo qualquer coisa que seja com outra pessoa, mesmo se eu ainda fosse a mais importante pra ela. Visualizar uma imagem onde a pessoa que eu gosto estivesse num intercurso romântico ou sexual com outra era uma tortura, alimentava a insegurança de uma forma brutal, porque a possessividade falava alto, e a objetificação como posse já estava determinada. Hoje é diferente. Faça o que quiser com quem quiser fazer o que você queira. Cada um com sua liberdade. A centralização do ego está cada vez mais apodrecendo pra mim.
Diante disso, sinto-me metamorfoseado.
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